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Ilha da Banana. População em situação de rua como habitantes do vazio.

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Anyi Paola Muñoz Umaña [1] A cenografia da sociedade contemporânea desenvolve em relações espaço temporais movíveis, onde as subjetividades interagem agitadas pelas forças do mercado que caracterizam o sistema capitalista, fazendo das cidades um espetáculo, e como espetadores assistimos a cidade à margem do palco. Assim, impõe-se nos ritmos de vida que nos consumem ao ponto de afastarmos do território no qual vivemos e convivemos, que no final implica tirar de nós a possibilidade de criar e recriar os lugares como espaços habitados pela cotidianidade.    O percurso realizado no dia 13 de abril pela cidade de Cuiabá no aconchego de 300 sombrinhas, foi um ato que me permitiu um reconhecimento autentico de fragmentos da cidade já transitados, me colocando detidamente a caminhar por lugares que até então, depois de um pouco mais de um ano habitando a cidade como “estrangeira”, só tinha atravessado por acaso como partes aleatórias do trajeto.      ...

Uma reflexão sobre o caminhar coletivo em “Cuiabá 300 sombrinhas”

Fernanda Pavan Estranhamento. Incompreensão. Passeio de sombrinha, à deriva... perda de tempo? Foram esses os primeiros pensamentos que me vieram à mente quando soube da atividade proposta. Achei bem diferente essa maneira de comemorar os 300 anos de Cuiabá... no calor, expostos ao sol, andando por lugares que eu ainda tinha precisado passar a pé e acompanhada por um grupo de pessoas que eu tinha acabado de conhecer por ocasião de uma matéria do mestrado. Não é o que geralmente se espera de uma comemoração marcante... Naquele momento inicial, eu não tinha consciência e nem bagagem teórica mínima para compreender a dimensão de uma proposta de intervenção artística urbana e seus surpreendentes desdobramentos; não tinha conseguido pressupor o envolvimento de tantas pessoas de áreas de atuação tão distintas num mesmo movimento para passear de sombrinhas pelo centro histórico da cidade; não fazia ideia da ânsia das pessoas pela criação de situações como esta para terem a oportunida...

Na contramão da modernidade

José Henrique Monteiro da Fonseca Aluno especial – Programa de Doutorado ECCO jhmonteirodafonseca@gmail.com Caminhar na contramão do que se está posto em um tempo histórico sempre foi motivo de estranhamento, retaliações, perseguição e não absorção imediata naquele tempo daquilo que vai contrário ao que está convencionalmente estabelecido. Em todas as épocas de algum modo os considerados mais fortes em uma cultura ou era, sempre tentaram se valer sobre os considerados mais fracos e vulneráveis. Na antiguidade a cultura helenística intencionava estabelecer a fio da espada o saber Greco-filosófico sobre outros povos como se esses não possuíssem saber razoável e hegemonicamente aceito (ROSSI, 2011). Foi assim nos tempos dos feudos, quando reis e senhores das terras abusivamente cobravam impostos exorbitantes de seus servos e camponeses. Com uma proposta “pré-liberal” não foi diferente com o êxodo dos camponeses para os pontos de comércio em nome de falsas promessas de...

Atrações temporárias, agenciando vivências urbanas: Cuiabá 300 sombrinhas

Everton Nazareth Rossete Junior Aluno Especial do Programa de Doutorado  ECCO  (evertonjr@gmail.com ) A cidade tem sido regularmente palco de ações e de mudanças , de dinâmicas sociais na vida, no dia a dia. Contudo, desde a transição da modernidade à pós-modernidade e à espetacularização da vida pública, c om a sujeição do ser pelo ter , as funções da cidade res umiram-se a o trabalho massacrante, a o morar indigno e a do deslocar-se eterno (TEIXEIRA COELHO, 2001), reforçando a falta de campos para conflitos, excluídos ou sufocados na sociedade do espetáculo, que substitui ainda o ter pelo parecer (DEBORD 1997 [1967]). Segundo Azevedo: A cidade enquanto um sistema complexo regulado pela produção, pelas relações formalizadas de trabalho e de família, pelos valores de consumo impulsionados pelas mídias, pelas burocracias que às vezes impedem o fluxo das coisas, cria um universo de sociabilidades obrigatórias, cheia de funções, horários e distribuição de taref...

Caminhar pela cidade como intervenção de nós mesmos - "Cuiabá 300 sombrinhas" no contexto da Arte Contemporânea

Maria Regiane Barrozo regianemusique@gmail.com A pergunta: O que é arte contemporânea(?) pressionou de tal forma apenas uma fala com todo seu contexto argumentativo estético e até poético, que sofre hoje, do problema da interpretação alheia. Não o outro como alheio, mas o alheio de si mesmo. Alheísmo de nós mesmos quando não conseguimos responder profundamente a pergunta tão comumente diagnosticada nos dias atuais de nossa cultura já exposta às artes de rua e nas ruas: O que são as artes contemporâneas(?). Essa determinação aqui escolhida, trazendo arte de/nas ruas como um estilo dentro do gênero arte contemporânea, não limita o caráter tão pouco sugere definições, se trata apenas de aproximação com o objeto proposto para essa escrita, dentro de uma arte que apresenta atividades no deslocamento do corpo por espaços na cidade e com a cidade. Retomando a primeira pergunta e ao nosso alheísmo, diante de tantas respostas intelectuais já dadas à questão, uma saída talv...